Condicionada fundamentalmente pelos veículos de massa, que coagem a respeitar o "código" de convenções do espectador a televisão não apresenta, senão em grau atenuado, o contraditório entre informação e redundância, produção e consumo.

Desse modo ela se encaminha para o que Umberto Eco denomina televisão "gastronômica": um produto industrial que não persegue nenhum objetivo artístico, mas, ao contrário, tende a satisfazer as exigências do mercado, e que tem, como característica principal, não acrescentar nada de novo, redizendo sempre aquilo que o auditório já sabe e espera ansiosamente ver repetido.

Em suma: o servilismo ao "código" apriorístico - assegurando a comunicação imediata com o público - é o critério básico de sua confecção. "Mesma praça. O mesmo banco. As mesmas flores, o mesmo jardim".

O mesmismo. Todo mundo fica satisfeito. O público. A TV. Os anunciantes. As lojas de eletro domésticos. A crítica. E, obviamente, o dono da emissora de TV.
Só o ouvinte receptor não "ganha" nada. Seu repertório de informações permanece, mesmissimamente, o mesmo.

Mas nem tudo é redundância na TV brasileira. É possível discernir no seu percurso momentos de rebeldia contra a estandardização e o consumismo.

Assim foi com as TVs educativas, públicas e independentes.

                                              Augusto de Campos, poeta, tradutor e ensaísta brasileiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário