10 de outubro de 1957 - A REVOLTA DOS POSSEIROS

Eram duas horas da tarde. 
  Alguns colonos chegaram em Pato Branco para denunciar as "Companhias" e encontraram o locutor Ivo Thomazoni que lhes prometera pedir ajuda ao povo da região. A única emissora de rádio de então chamava os colonos para invadir as cidades e expulsar as “Companhias Comerciais de Terra” e seus jagunços. Esses queriam, ilegalmente, tomar as terras de seus proprietários legítimos e dos posseiros que já haviam se instalado nas terras da região. 
Uma hora depois, chegaram os primeiros caminhões de agricultores, provenientes de vários lugares. Os que não tinham condução foram a pé, a cavalo ou de carroça.
Às seis horas da tarde, eram mais de três mil, armados com espingardas de caça, pedaços de pau, enxadas... Foram criadas barreiras entre Pato Branco e Francisco Beltrão, para impedir a chegada de reforços dessas companhias. Numa dessas barreiras, um carro foi abordado e nele estavam dois diretores das chamadas "Companhias", que imediatamente foram bloqueados e presos.
No dia seguinte, já eram em torno de seis mil. No final da tarde, o pessoal das companhias de terras e respectivos jagunços foram encurralados e expulsos da cidade sob escolta militar.
A cidade virou uma festa. Os escritórios das companhias foram invadidos pois os colonos queriam as malditas promissórias e os contratos ilegais que tinham sido obrigados a assinar. A avenida ficou branquinha, coberta de papéis...
A manifestação  envolveu  os municípios de Francisco Beltrão, Capanema, Pranchita, Renascença, Marmeleiro, Pato Banco, Santo Antônio do Sudoeste, Verê e Dois Vizinhos.
Na época, o levante foi amplamente divulgado pela imprensa nacional e ficou conhecido como 
a   Revolta de 57.

Foto e dados enviados por Débora Basso Roman, filha de Zulmir (Nanci) Basso que participou daquela manifestaçãoA seguir mostraremos outras fotos do acervo de Zulmir, que hoje vive em Toledo, no Paraná.. 

Por Alice Fontana - Milão 




                                                    


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