MULINHA

A mulinha carregada de latões
vem cedo para a cidade
vagamente assistida pelo leiteiro.
Para à porta dos fregueses
sem necessidade de palavra
ou de chicote.

Aos pobres serve o relógio.
Só não entrega ela mesma a cada um o seu litro de leite para não desmoralizar o leiteiro.

Sua cor é sem cor.
Seu andar, o andar de todas as mulas de Minas.

Não tem idade - vem de sempre e de antes - nem nome: é a mulinha do leite.
É o leite, cumprindo ordem do pasto.


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