The Day After, Por Mário Prata:

"Terra esquentou muito e a gente cozinhou".

AT - Ah... foi meteoro? vulcão?

Último remanescente da humanidade - Não, no caso foi vacilo mesmo. A gente queimou muito petróleo, muito petróleo, até o mundo virar uma sauna seca.

ET - E queimara petróleo para que?

URH - Pra se locomover, basicamente. A gente criou uma  caixas de metal que queimavam petróleo e te levavam de lá pra cá, sem você ter que cansar as pernas.

ET - E vocês iam de lá pra cá, pra quê? pra fugir de predadores?

URH - Não, não. Os predadores viraram bolsa e tapete bem antes. A gente queimava petróleo pra ir e voltar do trabalho, da padaria, do posto, onde a galera ia encher a caixa de metal  com mais petróleo e fazer uma social na lojinha, tomando Skol latão.

ET - E por que vocês não iam a pé pro trabalho, pra padaria, pro posto, fazer social na lojinha, tomando Skol latão?

URH - Porque todo mundo se aglomerava numas cidades enormes e acabava ficando meio longe do trabalho, da padaria, do posto.

ET - E por que vocês não se dividiam em cidades menores, onde dava pra fazer tudo a pé?

URH - Porque nas cidades enormes tinha mais possibilidade de trabalhar e de ganhar dinheiro pra poder comprar uma caixa de metal maior e mais cara, que gastasse mais petróleo".

 ET - E por que alguém quereria comprar uma caixa de lata maior, mais cara que consome mais petróleo?

URH - Por que dava mais status e status era tudo.
No Trabalho, na padaria, no posto, neguinho via tua caixona de metal, capaz de ir a 240 km/k e dizia: "Pô, ó o cara!"

ET - Nossa, olhando esses escombros, agora nem dá pra imaginar que por aqui passavam caixas de metal a 240 km/h.

URH - Não, na verdade não era assim não: como eram muitas caixas de metal e todos queriam se locomover ao mesmo tempo, ficava tudo engarrafado. Nos horários de pico a média era de 8 km/h.

ET - Ué, até onde eu sei com as pernas vocês poderiam ir mais rápido que isso...     
        
   *Artigo (reproduzido aqui não totalmente) de Mário Prata para Folha de São Paulo 26/07/2015.
                                 

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