"SÃO PAULO tinha, em 1936, um total de 301 quilômetros de vias para bondes eletrificados. O controle tarifário que reduziu a lucratividade da Ligth, multinacional canadense que explorava o serviço, levou a um longo e lento processo de deteriorização da qualidade do serviço.
Na virada dos anos 30 para os 40, a Ligth avisou que não desejava renovar a concessão do serviço após o término do contrato em 1941.



Em 1947 o serviço foi transferido para a Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), empresa municipal recém-criada.
Naquele ano, o bilhete subiu de 200 mil réis, valor mantido constante desde 1909, para 500 mil réis.
Nos anos 30 e 40, sob a liderança de Prestes Maia, a cidade optou de vez pelo transporte individual. A partir dos anos 40, até 1968, os 300 quilômetros de trilhos foram paulatinamente desfeitos.

 Independente dos motivos que justificaram à época essa opção, o olhar retrospectivo indica que um erro brutal foi cometido.
 Era necessário modernizar, e não eliminar.
Os 300 km de trilhos até hoje fazem falta.

A miopia da classe dominante, que enxerga o mundo através de suas necessidades, produziu o erro.
É erro parecido ao cometido pela sociedade ao aceitar investir somente 1% do PIB (Produto Interno Bruto) em educação fundamental nos anos 50, quando o crescimento populacional era de 3% ao ano: 7 de cada 10 crianças entre 7 e 14 anos fora da escola.

Insistir na opção por transporte individual aprisiona a cidade: fica cada vez mais custoso corrigir o erro."
                                            *Parte de artigo do jornal Folha de São Paulo 02/10/2016 assinado por Samuel Pessôa

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