“As tartarugas bem mais que as lebres, terão o que contar sobre a estrada”

No tempo em que eram os fotógrafos quem fotografava, esta profissão já não era fácil. Financeiramente difícil e por guardar os afetos das pessoas, era tida como missão, como atender a um chamado.
Imaginem então com a chegada da tecnologia, imersão na era digital e a facilidade de registrar, copiar, alterar e reproduzir imagens...

Toda população melhorou o olhar e muitos confundiram-se com fotógrafos. Como se todo aquele que soubesse ler fosse um escritor.

As sedutoras câmaras digitais facilitaram o acesso de novos fotógrafos que vieram se multiplicando com abertura de mercado, formação, talentos, criatividade, subsistência e também, modismos. 

Tudo embalado por novas políticas de produção e consumo que o encantador mundo das artes visuais trouxe via tecnologia digital.
Reforçou-se a tendência do mercado consumidor no Brasil, de não valorizar a experiência e o enorme peso da tradição, como nos países seculares.

No mercado da fotografia comercial, diante da multiplicidade de escolhas – surgiu o cliente encantado pelo brilho de novos tesouros, falsos ou não.

Não sei se seria radical afirmar: antigamente, venciam os fotógrafos; depois, passaram vencer os fotógrafos marqueteiros; hoje, vencem os marqueteiros fotógrafos.

Além de tudo no Brasil há uma total falta de políticas públicas fomentando – também -  o ramo fotográfico; nem recursos financeiros a juros reduzidos que fortaleçam os profissionais da área.

A classe dos fotógrafos também não escapou dos maus governos, das mazelas políticas, da ineficiência na gestão pública e dificuldades econômicas, que promoveram uma grande redução do mercado da fotografia.

A valiosa pérola da coroa social - a juventude – deixou de ser motivada pela preservação da memória visual, estando estes em grande parte, resumidos à incrível aventura individualista dos celulares.


Rudi Bodanese – fotógrafo há 45 anos.

grupo@rudibodanese.com.br

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