EXPRESSO PATONAUTA

Por Eduardo Waack*

“Lá vem chegando o verão / No trem da Estação da Luz”...Em 21 de abril de 1985, num domingo, o cantor Alceu Valença apresentou-se em Pato Branco. 

Foi um show antológico, promovido pelo grupo de jovens denominado Maquinistas. Ensaiou alguns versos de uma música que estava compondo, pedindo opinião ao público atento, que entusiasmado participou da cantoria. 

No exato instante em que ele se apresentava, falecia em São Paulo o presidente da república eleito, o mineiro Tancredo Neves. Decretado luto nacional, Alceu permaneceu alguns dias na cidade, e foi, levado pelos Maquinistas, a um sítio à beira do rio Chopim, de propriedade da família Bianchi. 

Fizemos um churrasco e tanto... Naquele local ele terminou de compor sua música, chamada “Estação da Luz”, dedicada à galera pato branquense.

Desta luminosa estação parte diariamente um expresso que reúne uma legião de passageiros, filhos diletos e admiradores da cidade, que residem em Pato Branco ou que estão fora, nos quatro cantos do país e quiçá em outros continentes, mas que carregam a Capital do Sudoeste paranaense em seus corações. 

Este expresso sideral e especial nos conduz a uma viagem no tempo, em cujas estações passageiros embarcam e desembarcam, seguindo ora para o passado, ora para o futuro, sem perder de vista o presente. Este expresso não possui limites de lotação, não exige documentos nem passagem, não tem fiscal. Seu combustível é a amizade. Basta querer ir e já estamos lá.

Seu condutor é o fotógrafo Rudi Bodanese, cidadão do mundo, pato-branquense residente em Florianópolis, de onde comanda o blog Patonauta, expressão máxima do amor a esta terra iluminada, repleta de empreendedores, jovem cidade que ultrapassou os limites dos rios Pato Branco e Ligeiro, e ganhou vales, montanhas, campos, planícies e planaltos. Rudi é autor de livros emblemáticos sobre a história de nossa cidade, nossa paixão, sendo o historiador maior deste município. 

Idealista, colhe agora os frutos de sua ousadia, comemorando os 550 mil acessos do democrático Patonauta. Na internet, muitos tentaram, mas poucos chegaram lá. Digo por experiência própria. Sei das dificuldades de manter acesa a chama de uma publicação. 550 mil motivos temos para comemorar. E la nave va... Enquanto seguia a barca... Parabéns a todos nós, filhos de Rudi!

* Eduardo Waack é escritor e jornalista, autor de “Canções do Front” (1986) e “Daquilo Que Se Pode Dizer” (2017).

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