Quero o crepúsculo do Potengi abismado
Quero a cachaça do boteco aloprado
Quero o escuro do céu estrelado

Quero o fi-o-fó da morena de olhar dourado
E mais não quero. A não ser, talvez,
Um verso do Zé Limeira
Um retrato de Maria Antonieta Pans
Um cigarro da marca Astória
Uma estampa do sabonete Eucalol
Um beijo da mulher da zona

E mais não quero, A não ser, talvez,
A bunda daquela galega do Alecrim
Com sua maciez e seus mistérios sem fim

E mais não quero. A não ser, talvez,
Uma certa buceta com cheiro de mel e capim
Desejada por marinheiros, bispos, tenentes
Governadores, padres, vagabundos, pastores 
E também por mim,
Mais doido do que nunca
Mais doido do que Nosso Senhor do Bomfim.

Chico Doido do Caicó (foto).
Caicó (RN).

Wikipédia: Francisco Manoel de Souza Forte, conhecido como Chico Doido de Caicó, foi um poeta brasileiro, autor de poesias erótico/debochadas.

Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, em 1922, Chico Doido faleceu em 1991, na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

*Extraído do jornal O Boêmio, do amigo, colaborador do Patonauta, escritor e jornalista Eduardo Waac (pato-branquense geração 70/80) hoje em Matão (SP).

Um comentário:

dilamar santos disse...

O descompromisso com o politicamente correto,com a moral e bons costumes sempre produziram poetas e escritores com um espectro diferenciado e muitas vezes de alta qualidade

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