Trecho de crônica de Heloísa Voltolini sobre seu pai Sittilo Voltolini (em memória), no livro PATO... CONFESSO QUE VIVEMOS (em revisão).

"Na apresentação em um dos livros, Sittilo traduziu em palavras sua preocupação com a preservação da história do município de Pato Branco..."

 “O Amor é um sentimento–consequência cuja causa é o conhecimento. Não se ama o que se desconhece. Do conhecer nascem a crença, o entusiasmo, a ufania, o brio... o Amor. Retorno tem por objetivo avivar a chama dos nobres sentimentos de todo pato-branquense, nato ou por adoção, por esta terra que o acolhe com afagos de mãe. 

E o caminho traçado para se chegar a esse horizonte é o Conhecimento. Conhecer para amar. Retorno foi em busca da História de Pato Branco por acreditar que é com base nas lições do Passado que se revigora o Presente e se garante o Futuro. Por incrível que pareça, a mãe de Retorno é a inércia... A inércia em que Pato Branco mergulhou quanto à sua história e, passivamente, como se não fosse com ele, vem permitindo que os traços de seu passado escorram paulatinamente para as águas do esquecimento. Quase tarde, Retorno despertou — mas despertou — e pôs-se a colher o que pode, para somá-lo ao documentário fotográfico existente; às passagens contemporâneas da história do município, registradas pela imprensa; às isoladas e heroicas incursões ao passado, para salvaguardar tópicos que fossem do precioso acervo, à beira do abismo do nada. 

É preciso alertar Pato Branco para que não sepulte o seu passado, fundamento do presente, estrutura do futuro. Se as ações do presente não estiverem alicerçadas no passado, serão sempre ações de começo, faltando-lhes energia e suporte para projetar-se para o futuro. Sem o passado, trava-se o presente, torna-se inoperante a sociedade, mergulhando em modorrenta mesmice, sem motivação para a luta, para as conquistas, para o progresso, para o desenvolvimento, para a cultura, para o saber. 

Retorno vem convocar Pato Branco para restabelecer os elos com o passadoRetorno vem convocar Pato Branco para que, no presente, projete o futuro, com a cartilha do passado. O maior valor do presente é o passado, uma vez que ele é a origem da própria existência; o maior valor do passado é o presente, uma vez que ele é o fantástico patrimônio que temos nas mãos, representando a soma do trabalho, das vicissitudes, dos sucessos dos que nos antecederam na construção dessa maravilha que é Pato Branco.”  
                    Na foto de Lucianita Scartezini, Sittilo e sua eterna companheira Nóris.

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