O FILHO QUE EINSTEIN RECUSOU

Há uma estória saborosa que talvez não passe de anedota atribuída ao físico e matemático judeu, Albert Einstein, autor da teoria geral de relatividade. Conta-se que depois da fama internacional alcançada com o Prêmio Nobel de Física, em 1922, por sua contribuição com a física teórica, especialmente com a descoberta do efeito fotoelétrico, essencial para o desenvolvimento da Física Quântica, Eistein recebeu, certo dia uma correspondência inusitada.

Era uma carta assinada pela recém-eleita miss de Nova Orleans, já naquela época cidade mais populosa do Estado de Minesota, dos Estados Unidos, fazendo uma surpreendente proposta-convite ao genial cientista. Dizia a beldade, na missiva enviada ao físico e matemático, que ela andava obcecada  por uma ideia que estava lhe tirando as noites de sono. Queria, porque queria, ter um filho com o laureado e famoso cientista.

  - Imagine o senhor termos um filho com a sua inteligência e a minha beleza – desafiava sedutoramente a miss recém-eleita, empolgada com a possibilidade de ter o rebento.
Conta-se que dias mais tarde a beldade recebeu correspondência de resposta remetida pelo famoso cientista declinando do tentador convite para a efêmera  noite de núpcias por ela proposta. Disse a ela que se sentia tentado e envaidecido pelo inusitado convite, mas que dele declinava por uma razão muito simples e que o incomodava.
- Tenho fundamentado receio que nosso filho possa nascer com a sua inteligência e a minha beleza -  justificou ele. 

Evidentemente trata-se de exagero, ou mesmo de absurdo despropositado estabelecer paralelo da estória anedótica atribuída ao gênio da Física com qualquer situação que ao menos se assemelhe nesse nosso Brasil cheio de futilidades. O ano findo foi pródigo no gênero em beldades que lembram a miss de Nova Orleans, seja no campo do mundo lúdico do futebol, nas artes cênicas – às vezes unindo-se uma à outra – e mesmo na seara da política neste  país de coqueiros que dão cocôs.

        Surpreende que não tenham surgido novas publicações, mesmo nos meios digitais pegando onda na expansão do tsunami de futilidades que vicejou, mesmo  com o país em crise econômica recessiva e na guerra de insultos que a eleição trouxe de enxurrada, de ambos os lados. Já nem se menciona os meios televisivos, instrumentalizando odes à mentalidade rasa, ao lixo cultural que invade as programações dos finais de semana.
      Fomos capazes de massificar ainda mais a indigência cultural e intelectual, notadamente nos extratos menos favorecidos e em meio a uma juventude angustiada de outras classes, preenchendo os  vazios com modelos e programas de recreação que subtraíram cada vez mais a cidadania. Neste aspecto, foi apenas mais um ano no calendário de décadas em que se propaga e se massifica a estupidez, parece diapasão contínuo e infinito.

     Que 2019, ao menos, seja marcado a por alguma  tentativa, uma esperança, de que melhorias se espraiem e também mudem mentalidades.
     Ou seremos sempre, genitores de filhos com genialidade estúpida, ou na melhor das hipóteses, com estupidez genial.
    Como  filhos que a miss e o cientista não tiveram!

*Alceo Rizzi, jornalista, publicitário, autor de NEGO MICO, ZÉ PAVÃO & outros aloprados.    

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