Assim, na etapa inicial da psicoterapia está presente um estado onde nossa visão está total ou parcialmente bloqueada pelo medo de mudanças prevalecendo a confusão. As atitudes são mecânicas e estereotipadas, não há liberdade de escolha.

Na medida em que avançamos, mais a consciência é ampliada e chega o momento na terapia em que a pessoa se sente mais aliviada, adquire mais entendimento sobre si mesmo, há menos cobrança, menos culpa. Há um retorno da espontaneidade e é possível ter uma visão mais abrangente e objetiva dos padrões negativos, sem tanto envolvimento.

No entanto, percebemos também que apenas a compreensão intelectual não é suficiente, pois não conseguimos efetivar mudanças significativas. E apesar do entendimento adquirido continuamos repetindo velhos hábitos. É necessário então, que a consciência alcançada seja colocada em prática na vida cotidiana, indo além da intelectualização dos problemas, experimentando as mudanças no dia a dia. 

Desta forma, o que realmente muda em relação as nossas dificuldades é a consciência que adquirimos delas e a capacidade que desenvolvemos de seguir a vida apesar delas. Nada pode nem deve ser destruído, e sim transformado. É como a pedra bruta que foi lapidada e adquiriu brilho e transparência, mas é a mesma pedra.
Não é possível apagar o passado. Nosso olhar é que mudou. Ficamos mais humildes, reconhecemos nossos limites e descobrimos que nem tudo depende apenas de nós. 

A confusão inicial dá lugar a uma calma certeza de que o processo continua, pois a vida sempre apresenta seus desafios que são agora enfrentados sem desespero. 
A psicoterapia desenvolve força interna para enfrentar melhor as situações difíceis de serem mudadas. Cada passo do caminho ajuda, aos poucos, a construir uma fé inabalável de que se encontrou as ferramentas necessárias para não sucumbir diante das dificuldades que inevitavelmente iremos encontrar. 
Agora as conquistas passam a ser permanentes.

Quanto mais avançamos no processo de auto-observação e autoconhecimento, mais desenvolvemos a aceitação de todos os aspectos da natureza humana. Harmonia e desarmonia, clareza e confusão, saúde e doença: tudo é passageiro se nossa consciência não estiver engessada em pré/conceitos e atitudes estereotipadas.  Assim, tanto a compreensão intelectual, como as atitudes práticas, com seus dramas, sofrimentos, alegrias, confusão e sabedoria. A meta não exclui nada, nem a dor nem a delicia.


Elaide Labonde
Psicóloga CRP 12º / 17623
Florianópolis – SC. 

*Na imagem, com os filhos Luiza e Flávio. Foto: Rudi Bodanese.

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