Psicologia Junguiana

“Saiba quem você é, ainda que isso signifique agitação e até vergonha. Enfrente a experiência que está vindo em sua direção com intuição e entendimento, e se você mudar, não destrua nada, mas ao contrário, evolua e cresça” (Fierz, 2007, Psiquiatria Junguiana. p. 361).

A Psicologia Junguiana também chamada de Psicologia Analítica, foi desenvolvida pelo psiquiatra suíço C.G. Jung, inicio do século XX. Essa abordagem busca entre outros objetivos, tornar possível o processo de crescimento e desenvolvimento das potencialidades reais da pessoa que busca psicoterapia. Isso ocorre como resultado da tomada de consciência de si mesmo. 

Geralmente o inicio da terapia é o momento mais difícil. É quando a pessoa percebe um sentimento de insatisfação que pode estar acompanhado de desânimo, tristeza, medo, mágoa. Impressão de estar estagnado diante da vida, planos que não se concretizam, sentimento de derrota, perdas, relacionamentos insatisfatórios, etc. 
Também a angustia existencial pode motivar a pessoa a procurar análise psicológica. E a Psicologia Junguiana considera importante o momento da vida em que surgem as questões filosóficas sobre o significado e o valor da vida. Quem nunca perguntou: “afinal o que estou fazendo aqui?”.

A tarefa que se apresenta não é fácil, pois os conteúdos emocionais parecem caóticos, confusos, misturados. Esses sentimentos revelam nossos os “pontos fracos”, aqueles assuntos que não receberam atenção e não foram resolvidos, causando constrangimento, impotência e perturbam contra a nossa vontade.
É o momento de fortalecer a autoestima e adquirir coragem para “confessar” os afetos que causam incomodo, desconforto. Também vencer medos e resistências. É necessário ter paciência e perseverança, pois não é possível forçar o surgimento de percepções. As mudanças só ocorrem quando o eu está fortalecido e capaz de aguentar o impacto de conhecer os conflitos que prefere esconder. Por isso não é possível prever o tempo para se atingir a meta na psicoterapia, pois depende de muitas variáveis, entre elas, o nível de motivação interior.

Assim, tal qual o alquimista que se esforça em seu laboratório para purificar o ouro bruto através de inúmeras operações, nós também precisamos fazer um esforço para adquirir discernimento e atingir um estado de compreensão e amadurecimento da personalidade que torna a existência plena, verdadeira e significativa. 
E não é necessário pessimismo em relação as nossas dificuldades pessoais. Podemos entendê-las como uma possibilidade de transcender os nossos limites para que possamos nos tornar quem realmente somos – seres únicos, maduros, livres – sem, no entanto, negar os limites e responsabilidades próprios de ser e estar no mundo.

Elaide Labonde (foto)
Psicóloga CRP 12º / 17623
Florianópolis – SC.

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